Pronto-socorre do Hospital Regional de Planaltina após reforma. Foto: Matheus Borges/ Agência Brasília
Uma série de óbitos e denúncias de demora exagerada e negliência no atendimento no Hospital de Planaltina nas últimas duas semanas geram alerta entre pacientes. No dia 29 de junho, um idoso identificado como Nelson José dos Reis, deu entrada na unidade de saúde sentido fortes dores pelo corpo. No entanto, morreu em casa, após não suportar a demora enquanto aguardava na emergência. O caso foi denunciado pelo filho dele, o pastor evangélico Fábio Reis, pelas redes sociais.
Apesar do sofrimento do paciente, de acordo com a família, o atendimento demorou e após a triagem o paciente acabou sendo encaminhado para a ortopedia. Atendido pelo médico da especialidade, a família foi informada que na verdade o caso seria de competência da clínica médica.
Na noite do mesmo dia, a família teria procurado a chefia de equipe para reclamar da demora do atendimento e pedir que o paciente fosse avaliado na clínica médica, mas o profissional de saúde teria recusado atendimento alegando que estava atendendo apenas pacientes no box de emergência. O chefe de equipe teria dito claramente que a família poderia processar, pois o paciente não seria atendido, orientando se deslocar para a UPA da cidade. “Vocês podem abrir processo, mas o paciente não será atendido”, teria dito o profissional. O caso é alvo de uma denúncia na ouvidoria da Secretaria de Saúde.
No dia seguinte, a família levou o paciente na UBS 4, com o paciente recebendo relatório médico classificando o caso como vermelho e orientando atendimento médico imediato. No entanto, no Hospital de Planaltina, o paciente teria recebido classificação laranja e esperou até a noite, sem atendimento.
Diante da demora, o homem teria pedido a familiares para ser levado para casa, pois preferia morrer em sua residência do que ficar naquela situação. Levado para casa, o idoso faleceu durante a madrugada. As reclamações sobre o funcionamento do hospital ficam cada vez mais graves, mesmo após uma reforma que ampliou o prédio, mas manteve a mesma quantidade de equipes. Questionada sobre o caso, a Secretaria de Saúde alegou que não pode fornecer dados sobre o prontuário do paciente ou detalhar os precedimentos adotados.
No entanto, disse que o paciente “recebeu atendimento médico, foram realizados os exames indicados, adotadas as condutas assistenciais pertinentes e mantido o acompanhamento clínico”. A pasta afirmou ainda que está “em fase de apuração”.
Da redação

